Publicidade: ᅠᅠᅠᅠᅠᅠ

É possível sanar o problema do desemprego tecnológico?

+3 votos
perguntado 13 Agosto, 2017 em Sociedade e Política por Telegrama
Breve introdução: Estamos entrando na 4° revolução industrial, tarefas e funções que não demandam criatividade, principalmente repetitivas e seja essencialmente manual serão delegadas a automação e a inteligência artificial. Isto quer dizer que empregos como dos motoristas, encarregados, seguranças, até mesmo telemarketing e etc, poderão e provavelmente serão passado, história. Centrais de atendimento com AI já existem como é o caso da solução Júlia no site da Latam.

Há otimistas que acreditam que novas funções e novos tipos de empregos menos enfadonhos virão, como foi o caso de quem vivia de acender lampiões a óleo e com a eletricidade vieram os eletricistas, carroceiros deram lugar a motoristas. Talvez agora, possamos a aprender empregos criativos (ou nem tanto) como Vloggers ou jogadores profissionais de vídeo-game, esportistas (até porque não vejo alguém torcendo por máquinas).

O prognóstico atual é que haja desemprego em massa — 35 % em países desenvolvidos e 50% em países em desenvolvimento, sim, uma turba sem comida no estômago e cheia de fúria cortando cabeças na guilhotina — e desta vez não será como antes. Antes não havia um descompasso. O amadurecimento da tecnologia caminhava junto com o homem. Hoje, não. Quem é da área de TI, percebe logo como mudam os paradigmas. Não dura dez anos e quase tudo que aprende não é mais utilizado no mercado e cada vez mais muda em um espaço de tempo menor.

Espero que 1 - os meios de produção passem a não ser mais feitos em grandes escalas e cada um possa realizar o próprio projeto ou 2 - querendo ou não, sendo a favor ou não, o socialismo dê certo e ninguém precise se preocupar com o futuro dos postos de trabalho.

Para reflexão: https://tecnologia.uol.com.br/noticias/bbc/2017/08/10/o-ex-executivo-do-facebook-que-largou-tudo-e-prepara-refugio-em-ilha-para-sobreviver-a-apocalipse-tecnologico.htm

2 Respostas

+3 votos
respondido 13 Agosto, 2017 por Amy Wong
 
Melhor resposta
Eu sou uma otimista boboca. Uma coxinha que não sabe o que é dureza.
Na minha modestíssima opinião o desemprego tecnológico é um fato da vida.

Não quero dar a impressão de que sou insensível ao drama humano de quem perdeu o emprego porque foi substituído por um robô idiota, ou que teve seus anos de estudo e esforço suplantados por um protocolo internacional de troca de arquivos. Eu sei que isso dói e pode arruinar  vidas e famílias. É um problema sério. Porém, sempre foi assim.

Meu pai foi adolescente e tornou-se adulto na década de 1970, quando uma legião de desempregados foi expulsa da agricultura por tratores, colheitadeiras, semeadeiras e todo tipo de implemento agrícola... Os que trabalhavam nos grandes latifúndios foram expulsos diretamente pela tecnologia; os que tinham pequenas propriedades foram afetados pelo absurdo aumento da eficiência na produção, que eles não conseguiriam jamais acompanhar. Esses deserdados foram despejados aos milhões nas grandes cidades, na mesma época em que o choque do petróleo fez o preço do barril subir 400% em 1973/74 e mais 140% em 1977 causando recessão global e hecatombe no Brasil (que importava 75% de seu petróleo e não tinha dinheiro para pagar essa conta). O resultado foi favelização, desemprego nas alturas, violência exacerbada e previsões apocalípticas para o futuro próximo: sem empregos, sem renda, sem esperança.

Nos anos 1980, idem: quando inventaram o EDI (eletronic data interchange) e o e-mail previa-se o fim das agências bancárias, o fim dos departamentos financeiros, o fim da indústria de papel e sua toda cadeia logística (maquinários, transportes, plantações, comércio, distribuição), da imprensa escrita (que seria substituída pela televisão), das editoras, das gráficas, dos correios, etc...

Nos anos 1990 eu era criança e ouvia meu pai falar em "downsizing" e "re-engenharia": empresas que tinham computadores centrais de milhões de dólares, administrados por dezenas de profissionais de informática altamente qualificados, trocavam tudo por micro-servidores que custavam US$ 3 mil, administrados por meia dúzia de garotos recém-saídos de cursos técnicos de nível médio.

Deixemos de seguir adiante e vamos mais longe, mas para trás: titio Karl Marx já falava em "O Capital" sobre o "pauperismo", que era uma condição essencial do capitalismo (segundo ele) e o tal de "exército industrial de reserva"... Marx referia-se aos "degradados" e "maltrapilhos" (chamados de "lumpemproletariado") que eram substituídos pela "maquinaria" nos seguintes termos:

"São notadamente indivíduos que sucumbem devido a sua imobilidade, causada pela divisão do trabalho, aqueles que ultrapassam a idade normal de um trabalhador e finalmente as vítimas da indústria, cujo número cresce com a maquinaria perigosa, minas, fábricas químicas etc. O pauperismo constitui o asilo para inválidos do exército ativo de trabalhadores e o peso morto do exército industrial de reserva. Sua produção está incluída na produção da superpopulação relativa, sua necessidade na necessidade dela, e ambos constituem uma condição de existência da produção capitalista e do desenvolvimento da riqueza."

Celso Furtado em seu clássico "Formação Econômica do Brasil" já se referia ao problema da desocupação de mão de obra escrava ocasionada pela adoção de técnicas modernas de moagem de cana ao tempo do Brasil Império. Diz ele:

"A indústria açucareira, no decênio que antecedeu a abolição, havia passado por importantes transformações técnicas, beneficiando-se de vultosas inversões de capital estrangeiro, sob os auspícios do governo central. Sem embargo, o último decênio do século se caracteriza por modificações fundamentais no mercado mundial do açúcar, como conseqüência da libertação política de Cuba. Inversões maciças de capitais norte-americanos foram feitas na indústria açucareira dessa ilha, a qual passou a gozar de uma situação de privilégio no mercado dos EUA. Tanto as inovações técnicas como as dificuldades de exportação contribuíram para reduzir a procura de mão-de-obra."

Resumo da minha opinião: existe "desemprego tecnológico" desde, pelo menos, a revolução industrial (na verdade eu acho que isso vem desde bem antes, mas como esse texto já está grande demais vou ficar por aqui). E sempre haverá desemprego tecnológico, exceto se acontecer alguma coisa muito fantástica. Quem passa pela experiência desagradável de ser substituído ou tornado tecnologicamente obsoleto sempre sofre, é doloroso e possivelmente catastrófico, mas isso é parte da vida em sociedade nos últimos séculos. Infelizmente, é assim que é.
comentado 13 Agosto, 2017 por Telegrama
Tudo bem e também complemento, se por um lado os maquinários e tecnologias agrícolas tiraram estes empregos, por outro contribuíram pra remediar outro problema social, a escassez de alimento. O que me impede de ser otimista é que, pra mim, haverá alguns diferenciais como a velocidade absurda para humanos como os paradigmas mudam, principalmente, na área da tecnologia... Até antes uma nova geração teria disposição e disciplina para aprender uma ou duas funções, operar máquinas, e se aposentar naquela vida. Já não tenho certeza daqui pra frente.
comentado 13 Agosto, 2017 por Telegrama
Também não sou do fã clube do Marx, mas entre o atraso, a censura e o caos anárquico...
comentado 13 Agosto, 2017 por Amy Wong
Permita-me dizer que para um moedor de cana do século XIX a tecnologia chegou rápida como um raio e não havia nada que ele pudesse fazer para "aprender uma nova função"... E para um artesão europeu da mesma época a máquina de tear também chegou em um flash instantâneo e acabou com o emprego dele.

Na agricultura foi de uma safra para outra: em março havia emprego para colher, em setembro não havia mais emprego para plantar: chegaram as máquinas, os trabalhadores nem sabiam o que havia acontecido.

A crise do petróleo, então, foi de um dia para o outro: as pessoas foram dormir com o barril de petróleo abaixo de US$ 3 (hoje seria algo como uns US$ 14) e acordaram com o barril acima de US$ 12 (hoje seria algo como uns US$ 60). Em 1977 o barril subiu, de uma hora para outra, de US$ 13 para US$ 34 (o que equivaleria a uns US$ 120 hoje).
comentado 13 Agosto, 2017 por Amy Wong
Mas permita-me dar um depoimento pessoal...

Prestei serviço para uma empresa de agronegócio cujo número de colaboradores flutuava na casa dos 600... Mas na época da safra o número subia para 1.400... Por 4 ou 5 meses, dependendo do regime de chuvas, buscava-se trabalhadores no mercado, pagando um salário mínimo como salário fixo e um adicional de produtividade que poderia fazer o salário chegar a 2 salários mínimos, na média, ou mais que isso, para os mais produtivos.

Tudo bem bonitinho: carteira assinada, refeitório na fazenda, transporte, banheiro digno, acomodação decente, equipamentos de proteção adequados. Não que fosse perfeito, mas era tudo de acordo com a lei.

Pois eis que a partir de 2010 começou a ficar difícil contratar, porque o mercado de trabalho estava aquecido... Para atrair a mão de obra passou a ser necessário pagar 3 salários mínimos na média... Depois, nem assim: as pessoas passaram a ter oportunidades melhores: arranjavam empregos fixos (não apenas 4 ou 5 meses por ano) e mais leves, mais limpos, mais "fáceis", mais divertidos... Como frentista de posto de gasolina, auxiliar de cozinha, atendente de telemarketing, operário em indústria de alimentos, costureira, etc.. Os mais sociáveis se estabeleceram vendendo coisas, ou trabalhando como autônomos, ou empreendendo... Em 2013 quase não havia quem contratar, independentemente do salário.

... E isso é muito bom, uai: havia emprego para todos!
Aí o que a empresa fez? Teve que mecanizar... Os produtos estavam lá para ser plantados e colhidos, era preciso fazê-lo... Mecanizar não é uma opção livre de problemas... Dá retorno sim, mas compacta o solo (um baita problema!), aumenta o investimento em inventário (o que aumenta o ativo, e portanto os impostos), deixa a operação mais complexa, requer mais gerenciamento, blá-blá-blá... Mas não havia o que fazer, então a empresa foi lá e PIMBA!, mecanizou tudo... Perdeu-se 800 vagas temporárias e "baratas" e contratou-se uns 30 técnicos e gerentes fixos e "caros".

... E logo depois houve o revestrés no mercado de trabalho e as pessoas voltaram, querendo seus empregos de novo... Empregos que não existem mais...

A vida é complicada.
comentado 13 Agosto, 2017 por Telegrama
Os filhos dos artesões então aprendiam e ajudavam em casa. Até certo tempo não era problema as pestes trabalharem depois dos 10 ou 12 anos. Hoje não veem mais filhos como investimento pra termos aquela produção de 6 a 10 filhos dos tempos noéticos. Um só já é despesa até terminar os estudos, mesmo se tiver senso de gratidão e ajudar com as despesas quando formado. -.-

Complicada, mas depois a morte descomplica tudo, então é bom se distrair um pouco.
comentado 15 Agosto, 2017 por Telegrama
Mais detalhes. Como Jeremy Howard diz: a revolução do "aprendizado de máquina" não será como a revolução industrial por ser de natureza exponencial. https://www.ted.com/talks/jeremy_howard_the_wonderful_and_terrifying_implications_of_computers_that_can_learn#t-1129904
comentado 15 Agosto, 2017 por Amy Wong
Sei como é...
Ouço falar o tempo todo em softwares de "inteligência congnitiva" e respeito muito quem estuda sobre isso e tem algo a dizer sobre isso e tudo o mais... No entanto, não concordo com o que essas pessoas têm a dizer.

Sempre que ouço alguém falar a respeito disso, tenho a impressão de que o defensor deste ponto de vista está querendo vender alguma coisa... Refiro-me a "vender" mesmo, no sentido estrito de "olhe aqui o que eu tenho, custa X, quer comprar?". Esse é exatamente o caso de Jeremy Howard, um cientista-empresário que criou uma empresa de máquinas supostamente inteligentes e agora vende seu peixe pelo mundo afora...

... E, por favor, não entenda isso como uma desqualificação do moço, nem como uma crítica ao que ele faz... Eu respeito o que ele faz, ele está na dele... Eu apenas entendo que o alcance desse tipo de iniciativa é complicado com a tecnologia atual, mesmo a mais avançada delas.
comentado 15 Agosto, 2017 por Telegrama
Não fosse alerta dos meus próprios professores e ter contato com tecnologias e Frameworks que validam toda a narrativa, eu não daria atenção. Aliás o tom do discurso dele no vídeo é mais de alerta e menos de marketing...

A única coisa que não me faz surtar é a ideia de que não terá sentido algum não ter pra quem vender os serviços se 1 - metade das pessoas estiverem desempregadas, muitos até roubando de quem tem emprego e 2 - devido a baixa na demanda, os próprios empregados ganharem salários menores como na crise de 29 e nem se darem ao luxo de consumir o que não precisam por ter que trabalhar pra sobreviver.

E minha esperança é que os produtos e serviços deixem de ser feitos em larga escala e os preços reduzidos de tecnologias e sua eficiências permitam que as pessoas sejam, em equipes pequenas ou individualmente, donas dos meios de produção, seja por aquisição ou subsídio governamental.
comentado 15 Agosto, 2017 por Amy Wong
Não sou da área de tecnologia, mas tenho contato com quem é da área e também lida com frameworks e códigos e linguagens e a tralha toda e et cétera e tal. Minha opinião não é individual, nem unitária, nem mesmo minoritária. Nem sequer é minha, é fruto do que eu converso com quem entende mais (muito mais) que eu.

Há entusiastas da inteligência artificial aos montes, mas também há céticos.

Seguindo minha irrefreável tendência de buscar respostas no passado distante e dizer que tudo continua igual, citarei a Feira Internacional de Paris de 1881, lá se vão quase 140 anos... Naquela ocasião as pessoas ficaram piradas com o fato de que conseguiam acender e apagar uma rede de lâmpadas, o que era absurdamente incrível. Um jornal francês escreveu no dia seguinte algo como "em breve a humanidade não conhecerá aquilo que hoje chamamos de noite".
comentado 20 Agosto, 2017 por Telegrama
Jornalistas merecem ser referência nem pra mau exemplo quando divulgam inovação, tecnologia e ciência. Pra mim são os maiores responsáveis por tão poucas pessoas se interessarem por ciência.

1. Desemprego maquiado: http://www.washingtonpost.com/business/economy/economy-added-169k-jobs-in-august-as-the-recovery-grinds-along/2013/09/06/696820dc-16ef-11e3-a2ec-b47e45e6f8ef_story.html
2. O índice de desemprego dos EUA: http://qz.com/340246/were-live-charting-the-us-jobs-report-for-january/
3. Hoje o desemprego na Europa é tão alto que, pra disfarçar, pessoas trabalham como voluntárias em empresas falsas: http://exame.abril.com.br/economia/noticias/europeus-recorrem-a-emprego-falso-em-empresa-falsa-diz-nyt
4. Áreas mais tecnológicas prosperarão com a automação: http://singularityhub.com/2015/06/28/kurzweil-responds-to-when-robots-are-everywhere-what-will-humans-be-good-for-video/
5. Apesar de criar mais trabalhos tecnológicos, é um mito dizer que o número de oportunidades se ajustará a todas as pessoas: http://spectrum.ieee.org/at-work/education/the-stem-crisis-is-a-myth
6. Fim do crescimento da economia: http://www.guardian.co.uk/environment/earth-insight/2013/jul/19/economy-end-growth-resource-scarcity-costs
7. 100% energias renováveis em 2030: http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=a-path-to-sustainable-energy-by-2030
8. Se a economia não mudar, as impressoras 3d vão matar o mercado: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=impressao-3d-fabrica-domestica-economicamente-viavel&id=010170130924
9. Problemas de aposentadoria: http://theeconomiccollapseblog.com/archives/the-tip-of-the-iceberg-of-the-coming-retirement-crisis-that-will-shake-america-to-the-core
10. Jovens desempregados não sentem motivos para viver: http://m.bbc.com/news/education-25559089
11. O desemprego é responsável por 1 a cada 5 suicídios no mundo: http://exame.abril.com.br/economia/noticias/desemprego-provoca-45-000-suicidios-ao-ano-em-63-paises e http://www.thelancet.com/journals/lanpsy/article/PIIS2215-0366(14)00118-7/abstract
12. Notícias desencorajadoras para trabalhadores desencorajados: http://www.cnbc.com/id/101515410
13. Crises aumentam preconceitos e visões extremistas: http://finance.yahoo.com/blogs/daily-ticker/empty-wallets-explain-why-democrats-and-republicans-hate-each-other-191155158.html
14. O sistema terá que mudar no sentido da colaboração para as coisas funcionarem: http://singularityhub.com/2015/07/20/we-need-a-new-version-of-capitalism-for-the-jobless-future/ e
+1 voto
respondido 13 Agosto, 2017 por     
Eu trabalho nessa área e para mim o avanço tecnológico é lucrativo ,não pertenço a linhas de produção manual , estou estudando mecatrônica para criar ,projetar , montar , e fazer manutenção nessas maquinas que a cada dia estão mais e mais tomando conta das industrias

O ser humano tem que se adaptar as novas tendências e ter uma visão da onde e onde ele pode fazer parte no futuro com toda a tecnologia , Eu estou estudando justamente nessa área porque toda a tecnologia por mais que seja mega moderna ainda precisa de mão de obra humana para se manterem funcionando e é ai que eu entro.
Image and video hosting by TinyPic
...